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A Dieta Do Menino

it doesnt matter what size you areVem aí o verão, e muita gente começa a pensar em perder peso. Decidi partilhar convosco algumas reflexões sobre a matéria, na esperança de que contribua para uma melhor preparação para a época de praia que se avizinha.

Ora vamos a isto:

A maioria das dietas não funciona, e essa é a razão porque há tantas diferentes. Quem quer perder peso vai satitando de uma em outra, experimenta várias, diz mal das restantes, e acaba na mesma, tendo passado dias sem comer, semanas a engolir couves, meses a brincar aos australopitecos (mas só às refeições).

Quem quer perder peso a sério não começa agora por esta altura, vai a um nutricionista sério, faz actividade física, faz uma dieta com pés e cabeça o ano todo. Depois há quem não queira perder peso, ponto final. Sobra um conjunto de gente que quer ser mais magro por causa da praia e que no inverno se está nas tintas para os pneus porque não se vêem debaixo da roupa – é a trupe da dieta em part-time, e este post é para eles.

As dietas não são receitas mágicas iguais para toda a gente. Aquilo que funciona para os outros não resulta necessariamente para nós, porque ninguém tem o mesmo metabolismo nem a mesma forma física nem a mesma actividade diária. Planear uma dieta é algo de especializado, feito por nutricionistas profissionais. Dito assim, até parece que comer é uma actividade séria e complexa, mas o facto é que a maior parte das coisas que os amadores fazem e usam são concebidas por profissionais – os carros, por exemplo.

A perda de peso é um processo complexo mas que pode ser abordado com alguma simplicidade. Garantido que esteja o equilíbrio dos alimentos e o fornecimento dos nutrientes essenciais, perder peso envolve comparar as calorias que se gastam com as que se consomem. Para perder peso, ou se consome menos, ou se gasta mais. E, da mesma forma que se inventam dietas mirabolantes de resultados duvidosos, também se multiplicam as propostas de actividade física e todos os anos aparecem mais: o “running” que consiste em correr em inglês e que, ouvi dizer, emagrece muito mais que correr em português; o “crossfit” cuja estratégia é variar os exercícios de tal maneira que o corpo se baralhe, desista, e emagreça; o “zumba”, que é uma coisa onde se dança; ou o “total recall” que consta de ser enviado numa nave armado até aos dentes para combater alienígenas que parecem aranhas gigantes. Este último talvez seja um filme, não me lembro bem – mas dá para ficarem com uma ideia.

Por entre as actividades mais clássicas e todas estas outras que têm vindo a ser “descobertas” ou “inventadas” nos últimos anos, há décadas que defendo que há duas formas simples e eficazes de perder peso: mais sexo e menos roupa.

O sexo gasta um monte* de calorias. É mais eficaz e mais cómodo que ir ao ginásio ou ir correr à chuva. É uma actividade aeróbica acessível a todos, para a qual basta um parceiro, podendo ser praticada em quase todos os lugares e em grupos de dimensão arbitrária. No entanto, pouca gente pensa imediatamente em “mais sexo” quando pensa em perder peso, o que é uma pena. Acredito que a baixa popularidade do sexo como forma de exercício possa ser atribuída a um conjunto de factores: por um lado, a indústria do desporto não quer promover como saudável uma coisa que não precisa de roupas especiais, não gasta sapatilhas, não implica batidos energéticos; por outro, a indústria do sexo não escolhe o “perca peso agora” como linha de marketing porque não lhes interessa chamar gordos aos fregueses, e já vendem o suficiente assim mesmo, muito obrigado. Simultaneamente a sociedade, embora se apregoe muito aberta e liberal, ainda não aceita que o sexo seja uma actividade como outra qualquer, que pode ser publicitada, de que se pode falar ao almoço com as colegas. Podem publicar-se artigos sobre técnicas para fazer bons broches, mas não se pode dizer à colega “mas vais para um ginásio? porque é que não começas por foder mais?”. Parece mal.

A roupa é o grande elefante-no-meio-da-sala da perda de peso, o factor de que ninguém fala. 70% das calorias ingeridas por um ser humano não se destinam à actividade física, mas sim a manter, simplesmente, o corpo quente e os órgãos a funcionar. Tudo aquilo que reduza as calorias necessárias para isto vai contribuir para que sobre calorias no final do dia. A roupa reduz a quantidade de energia que o nosso corpo necessita para se manter quente, de onde é fácil depreender que quanto menos roupa usarmos, mais calorias gastamos ao longo do dia. Os números efectivos são muito contestados e alvo de grande e recente debate. Alguns investigadores dizem que o efeito no metabolismo é diminuto, quase inexistente**, outros reconhecem o usar de menos roupa, roupa mais leve, menos aquecimento, como estratégias válidas para complementar um programa de actividade física e alimentação regrada. Eu, pessoalmente, continuo a defender isso do “menos roupa”. Na pior das hipóteses, não adianta nada, mas tem efeitos secundários positivos: a malta nua pela casa, o mamilo mais erecto, são coisas para apelar um bocadinho ao sexo – e esse, inquestionavelmente, emagrece. E mesmo que não emagreça, olha, depois de feito, está feito.

* um monte: termo técnico que designa uma grande quantidade

** curiosamente, alguns dos que dizem que usar menos roupa é inútil são os mesmos que dizem muito bem das dietas paleo. fazer de australopiteco é bom, porque os australopitecos eram saudáveis, mas não se isso nos fizer ter de desligar o aquecimento central e deixar de usar fatos Armani, certo, doutores?

One thought on “A Dieta Do Menino

  1. 13/05/2015 at 12:52

    Uma outra maneira de perder peso é não seguindo nada do que se disse aqui.
    Que tal exercício físico?

    http://vadiomental.blogspot.pt/2015/03/receita-de-bolo-de-vontade-mas-nao.html

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