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A Erosão De Eros: Nada Fica Onde Está

Eros corrói-se, é feio visto de perto ao fim de uns anos, cheio de rachas e de rugas, de peças que não encaixam. Eros range quando se move, parece bem até alguém o tentar mudar, esboroam-se as arestas, fazem barulho as engrenagens quando alguém quer mexer nalguma coisa. E no entanto só está vivo em movimento, parado definha como uma casa velha. Não mexer no amor é abandoná-lo, pensar que o que já foi continuará só porque o houve em tempos. O tempo passa, como um rio, e onde havia um monte agora é um vale, e o chão que tinhas sob os pés foi já cavado pelas águas. Quem amavas seguiu, naturalmente, o rio do tempo – e só tu sabes se a seguiste, só tu sabes onde estás.

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