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Amor, Sexo, E Outras Drogas

O sexo e o amor não se substituem – são coisas diferentes que se complementam sem se poderem confundir. E no entanto há quem as confunda, acha que uma é requisito da outra, e que isso é normal.

Se há quem condene o sexo sem amor, que dizer do amor sem sexo? Que o sexo é gula e desapego, e o amor é nobre e doce, uma escolha, uma vida? Se amar a toda a hora, com presença e com constância, é bom e belo, porque tem o desejo de ser moderado, controlado, racionado com parcimónia?

O amor não é a metadona do sexo; por mais que o sexo te deixe louco, te faça explodir por dentro, por mais que o sexo faça de ti o que fazem as drogas, o amor, embora dure o dia inteiro, a vida inteira, não pode servir de substituto. O amor não pode ser a metadona do sexo, não pode servir para te apaziguar a ânsia, não pode servir para te amarrar as mãos e os lábios. Além do amor, se há desejo, o amor pode não bastar.

O amor vale por si, é bom por si, não substitui nada, não pode substituir nada.

O amor faz-se de amar e ser amado; requer, como o sexo, duas pessoas. E no entanto, há quem pense mal de um casal em que um ame e outro não, mas ache que as diferenças do desejo são normais, justificáveis, e têm de ser aceites, normalmente calando quem quer mais. Quem queira, exija, reclame mais amor é um romântico e um apaixonado, cheio de virtude e de razão; quem queira mais sexo é um tarado, a reprimir, a moderar, a corrigir.

Continuamos a endeusar o amor, a achar que não querer sexo é uma escolha e que não ter amor é uma doença. Aceitamos contra o sexo pretextos inaceitáveis no amor: trabalho, cansaço, tempo, prioridades. Qual é, afinal, a prioridade? Se o companheirismo e a intimidade não têm botão de desligar, porque é que o sexo se faz nas horas vagas?

 

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