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As Filhas Das Mães, ed. 180

Não há uma linha que separa a pornografia da arte.

Pode invocar-se valor artístico em quase tudo: na composição, na técnica, no assunto, na abordagem; pode invocar-se a beleza, a unicidade do momento.

A arte é tudo menos isto; a arte é intenção e efeito; um poema não vale pelas palavras, pela rima ou pelo papel em que é escrito; vale pelas emoções que o autor quis transmitir, e vale se essas emoções forem sentidas por quem lê. Passa-se o mesmo com a pintura, com a música ou com a fotografia. E passa-se da mesma maneira se o tema da obra forem girassóis, casas, pessoas nuas ou gente a foder.

A linha que existe são muitas linhas, é uma linha diferente em cada autor, em cada espectador, em cada obra. A arte é arte quando o artista sente alguma coisa e a consegue transmitir, e que vê a arte sente isso.

No limite, o nu é arte quando sentes o que o artista sentiu, seja beleza, seja desejo, seja repulsa ou seja tesão. Deixa de ser arte quando é feito a metro, quando é feito sem sentir nada, quando é fingido, quando é feito para dar a sentir uma coisa que quem faz não sente. Deixa de ser arte quando é mal feito, quando é mal transmitido, quando por muito que sintas não o consegues fazer passar aos outros.

Sim, duas pessoas a foder podem ser arte. E um livro de um pseudo-intelectual da nossa praça pode não ser mais do que reles, e má, pornografia.

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2 thoughts on “As Filhas Das Mães, ed. 180

  1. Eva
    31/07/2016 at 15:17

    Tenho interesse em conhecer a mente do homem que está por detrás do monitor. Talvez se trocássemos algumas palavras…

    1. 01/08/2016 at 07:26

      O homem está sempre aqui para trocar palavras… :)

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