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Casa

home is a place in your arms

Durante muito tempo voltou-lhe à cona como quem volta a casa.

Não por vontade, nem sempre se volta ao fim do dia por vontade, por vezes a vontade é de outra coisa qualquer, mas nem sabes o quê, nem preferes nada, mas é como se cada pessoa tivesse um sítio e acabes por voltar para casa por uma simples questão de arrumação.

Só muito tempo depois de ela ter partido entendeu a futilidade disto – e mais ainda: o desperdício, a perversão, o erro imenso.

Mas a vida é altamente experimental: estamos todos a passar por tudo pela primeira vez, e nada é igual a nada, por muito que se assemelhe.

A vida entende-se por comparação e não por definição. O branco e o preto conhecem-se por experiência e por contraste. Não adianta explicar a que sabe um tamarindo verde a quem só sabe o que é um limão.

Por isso chamas casa ao que é só um tecto, sem saber que uma vida é muito mais. Na verdade é impossível saber se há mais além. É impossível saber se já chegaste. É impossível saber se podes ser mais feliz até o seres. Ou já o teres sido.

Mas persistes, até que o teu próprio mundo insista em destruir-se. E é só quando não tens nada a que voltar que encontras um caminho, e esse caminho se faz casa.

Finalmente entendes. Casa não é um lugar onde se volta. Casa é o nome que se dá à estrada quando somos felizes.

2 thoughts on “Casa

  1. Cat
    23/01/2014 at 21:22

    “Casa é o nome que se dá à estrada quando somos felizes.” ou casa é o lugar onde estamos quando somos felizes. Seja ele qual for.
    E espero, de coração, que a tua estrada se volte a tornar uma casa.

    ps – Gostei tanto de ler isto, pá. (incluindo aquele pormenor de gostar de ler a palavra que nunca escrevo, “cona”. Mas isso são outros 500).

  2. 23/01/2014 at 21:46

    Mary Cat, obrigado pelas tuas palavras :)

    E sim, a minha estrada é, e tem sido, e espero que continue sempre a ser “casa”; gosto – muito – de cada pequeno passo do meu caminho.

    (e ainda bem que gostas de ir lendo estas coisas que eu escrevo; esta espécie de bittersweet em que se mistura cona com tamarindos e semiótica de algibeira dá-me prazer a escrever – porque traduz o que penso – mas sei que não é o estilo mais consensual do mundo. é bom saber que há quem goste. ;) )

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