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Cem Coisas Que Precisas De Saber – Coisa #78 – Não Leias Sempre A Mesma Coisa

reading_by_nicolenudes-d65qhklSabes, nos livros, como em tanta coisa, há quem fale de géneros menores e outros maiores. Alguém algures decide que, porque fala de certos temas, um livro é menos importante que outro; que um autor que faz rir é sempre menos bom que um que faz chorar; que um escritor que faz pensar é sempre melhor que um que faz esquecer.

Precisas de saber que se enganam. Só há uma distinção importante na literatura: a boa e a má. Não é o género que dita a qualidade e muito menos a bondade de se ler um livro. Aliás todos os géneros têm os seus méritos e cada um pode desempenhar em nós funções diferentes. Afirmar que um dado tipo de obra é menos que outro diz mais sobre quem o diz do que sobre os livros; e ao mesmo tempo os géneros de literatura que lemos dizem mais sobre nós mesmos do que baterias inteiras de testes.

Há coisas que só se aprendem em certo género de literatura. A ficção científica ensina-te a pensar na evolução do homem, em formas diferentes de sociedade; os policiais ensinam-te a importância do detalhe e que nem tudo é o que parece; a poesia ensina-te que a forma, e não só a mensagem, tem beleza e transmite ideias; há livros que te ensinam a ir do abstracto para o concreto, e outros do concreto para o abstracto; há livros que te fazem pensar em coisas pela primeira vez e outros que te dão ideias novas sobre coisas em que pensas muitas vezes. A literatura é o canal mais directo e acessível para entender toda a riqueza e a variedade da condição humana, para entender o mundo e as tantas formas de o olhar, para te mostrar que as coisas são – podem ser – mais que aquilo que vês, para te ensinar a pensar fora da caixa, para te dar mais pernas para trilhares um caminho, para te dar mais armas para furar pela floresta. Por isso é importante a variedade, não nos confinarmos aos autores de sempre, aos géneros de sempre, ir a terrenos novos nem que seja para ir lá ver como é; por vezes descobrimos gostos novos ao voltar a experimentar um certo género anos depois. E depois há isso do bom e do mau, e acontece que a má sorte de um mau livro nos faça pensar mal de um género inteiro, até, nem que seja por acaso, lermos outro melhor e entendermos que há histórias de amor que não são lamechas, romances históricos que não são secas, poesia que não é uma treta snob, que os detectives não são todos iguais e há erotismo com figuras de estilo para além das metáforas e das alegorias de gosto duvidoso para substituir verbos ou partes do corpo.

Há quem diga que a vida não se aprende nos livros. Por vezes penso que quem diz isto ou leu pouco ou viveu menos ainda.

Precisas de saber isto, não porque ninguém to diga, mas porque o experimentaste. Vai. Lê uma coisa que nunca tenhas lido. Experimenta. Vai.

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