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Contributos Para Uma Ontologia Da Tesão

Simplifiquemos o sexo: é um caralho enfiado numa cona.

Então porque é que o que nos atrai não é a cona? Porque é que, ao ver uma mulher, se pensa em tanta coisa, mas não “que boa cona”? Porque, afinal, o que nos atrai não é a cona – e isto faz-nos repensar aquela ideia simplista do sexo.

Porque a atracção é complexa:

  1. É biológica e instintiva, vem do primórdio evolutivo; escolhe os rostos simétricos, as proporções dos corpos, as mamas e as ancas, a diversidade.
  2. É feita de preferências inconscientes, de traumas e de estereótipos, de experiências pessoais e de anseios insatisfeitos, de ones that got away, de arquétipos vindos dos media ou das influências culturais; e é feita de fetiches, de vontades e desejos que, sendo mais raros e menos banais, não são menos reais por isso.
  3. Nasce também da atitude, da postura, do posicionamento, daquilo a que se chama a personalidade ou o feitio; e da bondade, do altruísmo, da rectidão – ou do epicurismo e da liberalidade.
  4. Vem da cultura, do intelecto, dos interesses, partilhados ou não, da capacidade de discutir temas, da curiosidade intelectual, da abertura e da sede de coisas novas, nos livros como na vida.
  5. Vem da atenção e do interesse, que amplifica a atracção por quem nos faz sentir que gosta de nós.
  6. No limite, pode advir de factores externos, de peer pressure, de antecipados benefícios sociais ou económicos, familiares, culturais.

A atracção evoluiu connosco desde o paleolítico, tornou-se mais complexa quando nos tornámos complexos, nunca perdendo o que vinha de trás. Hoje há um conflito entre o id e o ego e o super-ego, entre o consciente e o inconsciente, entre o instintivo e o racional, entre a realidade e o desejo.

O peso relativo de cada factor é diferente para cada um de nós, podendo até mudar ao longo da vida; sentirmos atracção por tipos de pessoas diferentes do que sentíamos há uns anos não é estranho nem raro, nem implica ter mudado de gostos; podemos simplesmente, valorizar mais (mesmo inconscientemente) outros factores. Por isso a mesma pessoa pode ser atraída por tipos físicos diferentes, personalidades diferentes, níveis culturais diferentes, sem que isso signifique que mudou ou que mudaram as suas preferências. Há quem chegue a não saber se tem de facto preferências, de tal forma complexa é a matriz que lhe desperta a atracção.

E é desta combinação complexa que, não sendo atraído por alguém por lhe imaginar a cona, nos dão tesão certas caras, certos corpos, as mamas e os cus, certos sorrisos, formas de olhar, certos discursos, certas ideias na boca de alguém. E se há quem só se encante pelo que se vê e pode tocar, há quem ligue menos ao corpo que à cabeça, menos às mamas que às conversas, que seja o intelecto, a atitude ou o fetiche o que lhe dá vontade de foder.

Porque, afinal, o sexo começa muito antes de se enfiar seja o que for onde quer que seja.

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