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Da Masturbação Como Acto De Boa Educação

O verdadeiro drama da falta de sexo é psicológico.

Do ponto de vista físico, é possível um homem viver sem sexo, mesmo que isso tenha efeitos pouco estudados. Sabe-se que o sexo influencia a testosterona, que por sua vez tem impacto nas características tradicionalmente “masculinas”, mas há pouca investigação séria sobre o assunto e acabamos todos a especular e a mandar umas bocas e a citar artigos de publicações manhosas.

Em termos psicológicos a falta de sexo é relevante se houver uma vontade insatisfeita de congresso sexual. Essa vontade cresce lentamente, e pode tornar-se o foco principal do pensamento de um homem, tornar-se quase obsessiva. A capacidade de concentração noutras tarefas, por exemplo o trabalho, diminui à medida que o sexo preenche cada vez mais as nossas ideias. A produtividade baixa, e sabemos que poderíamos pôr fim à obsessão e voltar à nossa vida normal se tivéssemos sexo. Desenvolve-se, como em qualquer droga, uma espiral.

O epicentro do desejo sexual é a imaginação e, no caso da ausência, a expectativa; quem não espera resigna-se e, de alguma forma, liberta-se do pensamento recorrente; para os outros, é a expectativa que os consome, e há homens que não conseguem baixar as expectativas, por ridículas que sejam; é hoje que vão foder a mulher, é hoje que a namorada vai poder, é hoje que a Luísa da facturação vai querer, é hoje que vão conhecer alguém na net.

A obsessão com o sexo faz dos homens uns chatos: não falam noutra coisa, não tiram os olhos das mamas, passam o dia a mandar indirectas e com innuendos. Este comportamento irritante, quase passivo-agressivo, não aumenta as probabilidades de que se dê o sexo; pelo contrário.

A masturbação não resolve mas ajuda, durante umas horas um tipo não pensa nisso; depois volta ao mesmo, mas o tempo que se ganhou entre uma coisa e outra é tempo que se ganhou.

Não deve espantar, assim, que haja quem use a masturbação como terapêutica comportamental, se masturbe para diminuir a sua tensão sexual, se tornar mais simpático, mais sorridente, menos obsessivo, mais agradável, mais educado, mais cavalheiro. E talvez isso seja, paradoxalmente, profundamente civilizado.

2 thoughts on “Da Masturbação Como Acto De Boa Educação

  1. Luna
    24/02/2017 at 09:49

    O sexo está definido na pirâmide de Maslow como uma das necessidades básicas do ser humano, por isso estes estudos ainda pouco aprofundados já, ao menos, definiram o quanto é primordial para o Homem! Não acredito que seja só o ser do género masculino que tenha tamanha “obsessão”!

    1. 24/02/2017 at 11:05

      Luna,

      também não creio que seja um exclusivo masculino; acredito no entanto que os efeitos e o comportamento prático dos homens e das mulheres, embora cada caso seja um caso, possa ter alguma correlação por género.

      Quanto aos estudos, a verdade é que sabemos, com factos e medidas, os efeitos práticos da fome, da sede, da privação de sono, mas continuamos a não saber se um homem que tem sexo todos os dias pensa mais ou menos em sexo do que se só o tiver de mês a mês…

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