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Da Masturbação Como Acto Prévio

Galeno, precursor da medicina no século II, afirmava que “todos os animais ficam tristes após o coito, excepto a fêmea humana e o galo”. Descontada a generalização, e a vinte séculos de distância, é um facto que o homem e a mulher sofrem efeitos diferentes após o orgasmo, nomeadamente na capacidade e na vontade de continuar o acto sexual. O período refractário, durante o qual o homem tem dificuldade orgânica em conseguir nova erecção, combina-se com um período mais extenso no qual a reacção psicológica ao estímulo sexual é atenuada. Tudo combinado, o homem sabe que, após a ejaculação, não estará em condições de nova penetração por um período que pode variar de uns minutos a um par de horas ou mais. A articulação disto com a curva de desejo sexual feminina não é perfeita. O desejo feminino, que pode estar em alta mesmo após o orgasmo, estará mais atenuado uma hora depois, quando o homem voltar a sentir-se excitado.

Sabendo isto, e perante a dificuldade em aumentar o prazer do coito pela repetição em curto espaço de tempo, o homem pretende, por vezes, aumentar a duração do acto sexual adiando o orgasmo.

Na ausência de adjuvantes químicos – o sildenafil, por exemplo, que além de potenciar a erecção, diminui o período refractário e pode permitir o que, na gíria, se denomina de “duas seguidas”, ou a cabergolina, que reportadamente diminui ou elimina o período refractário – o homem recorre, desde tempos imemoriais, a técnicas e substâncias que permitam aumentar a duração do acto sexual e, consequentemente, o seu prazer.

Prolongar a duração da erecção e adiar o orgasmo é comparável a um número de equilibrismo. A maior parte das substâncias e dos comportamentos que retardam o orgasmo diminuem a sensibilidade ou a concentração, e acabam por funcionar como um pau de dois bicos: se, por um lado, aumentam a duração do acto sexual, por outro lado diminuem a qualidade da erecção e podem interferir com a performance sexual ou com o prazer que dela se retira. Encontrar um ponto de equilíbrio pode ser complexo.

Uma forma de combater o corpo é usá-lo a nosso favor. Se a experiência nos diz que uma repetição do coito com algumas horas de pausa torna o segundo mais demorado, porque não usar isso como técnica?

A masturbação prévia, algumas horas antes do coito, pode dar ao sexo uma duração acrescida sem comprometer a solidez eréctil, de uma forma segura, barata e sem necessidade de alterar comportamentos durante o coito ou ter de pensar periodicamente em políticos ou na derrota do Estoril-Praia.

O difícil nesta técnica é acertar nos timings correctos, que variam de pessoa para pessoa e até ao longo do tempo. Cada homem tem um tempo próprio de recuperação; se o intervalo entre a masturbação técnica e o sexo for demasiado curto, poderá haver dificuldade em atingir e manter uma erecção com a firmeza e estabilidade desejada; se for demasiado longo, perde-se o efeito de retardar a ejaculação. É algo que requer um período de aprendizagem por tentativa e erro, e que, mesmo após essa fase, requer algum planeamento e antecipação.

Tudo isto traz ao sexo uma componente técnica que contraria a suposta espontaneidade do acto; mas se se diz que os homens passam a vida a pensar em sexo, não é contra natura imaginar que façam alguma futurologia e se possam querer preparar. Na pior das hipóteses, de qualquer forma, masturbaram-se, o que também não mata ninguém.

PS: uma alternativa interessante à técnica da masturbação prévia é preceder o sexo de mais sexo: fazer do acto sexual uma coisa em duas partes,  com umas horas de intervalo, aproveitando o melhor dos dois mundos. Por vezes isto acontece naturalmente, noutros terá de ser coisa combinada e explicada; e, por muito que se repita isto, as pessoas ainda falam pouco sobre sexo, especialmente sobre o seu, especialmente com quem o fazem.

 

One thought on “Da Masturbação Como Acto Prévio

  1. C
    26/02/2017 at 12:59

    serviço público, este post.

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