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Da Observação Dos Seres

Mesmo que não o confesses, o amor não te faz cego. Continua a haver mulheres nas ruas, nos cafés, nos escritórios e nos filmes, e o amor por uma não faz das outras feias. O amor não te faz reparar menos nos seus rostos, nos seus corpos, nem suspende o processo, quase inconsciente, da imaginação. Os homens apaixonados não deixam de ver as séries com actrizes giras, nem sequer de ver pornografia. O amor não te transforma certos gestos.

(E se há quem viva na ilusão de que o fazem, é talvez porque é há mais quem finja para não magoar do que quem encontre quem tenha a confiança em si mesma, a segurança na relação para entender que nada disto é relevante nem tem nada a ver com amor, nem mesmo com desejo.)   

E no entanto o amor pode transformar-te os gostos; começas a achar mais as mulheres que têm o cabelo da cor da tua; o corpo parecido com o dela; as mamas do mesmo tamanho; os olhos com a mesma forma; o mesmo tipo de andar, de gestos e de poses. Dás por ti a olhar para as louras magras da moda e a perguntar-te por onde é que se agarrará naquilo, para as miúdas de vinte e tal anos e a achar que não te dão pica nenhuma.

Não, não deixas de olhar para as outras gaijas. Deixas é de lhes achar tanta piada.

 

 

One thought on “Da Observação Dos Seres

  1. 16/01/2017 at 18:37

    deixas de achar piada… até ao dia

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