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Do Sexo Como Forma De Humanismo, Expressão Artística E Cultural

Se comêssemos só para matar a fome, se cozinhássemos só para ter o que comer, não teríamos criado muito mais que o pão, muito mais que o fogo onde assar a carne, que a chama onde se grelham peixes. Porque somos humanos, fizemos da alimentação uma arte, uma expressão individual e social de vontades, um acto que é tanto de fé como de sobrevivência.

Porque não faríamos o mesmo com o sexo?

O sexo não é mais simples nem mais complexo que a comida; noutras espécies o sexo é simples, nessas mesmas espécies em que se come porque é preciso e não se mistura nem prepara nem transforma.

O sexo humano não se faz por ser preciso, nem tem de ser básico e simples.

O sexo elementar é bom, como o pão é bom, como a carne é boa só com sal, e no entanto fizemos da cozinha forma de arte e criação, não porque não queiramos coisas simples, mas porque queremos outras, porque também queremos outras, e queremos construir e inventar e experimentar e transcender.

Ser diferente é ser humano, é o que faz de nós humanos, e é por isso que humanamente te beijo os lábios como quem come uvas, te aperto as mamas como quem faz pão, te arranho as costas só porque gosto, e te tempero de azeite e te provo por baixo e te aperto os mamilos como quem põe sal, e te dou uma palmada como se isso fosse lume a selar a carne antes do forno, como se te temperasse mas no final te coma crua.

 

 

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