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Ensaio Sobre A Tesão

man with tattoos and hard onFala-se muito de tesão, mas pouco esforço se faz – excepção feita aos académicos da coisa, que os há – para compreender ou explicar a tesão e os seus mecanismos.

A tesão, que no limite representa a vontade de foder – ou de foder alguém – é um fenómeno de análise complexa, e baseia-se em diferentes factores, de três ordens principais – biológicas, emocionais e intelectuais. É a vertente intelectual que explica situações como os fetiches, que são reflexos no plano da tesão de gostos conscientes ou inconscientes, de traumas ou de fantasias, mas essencialmente projecções de fenómenos do intelecto, ou situações como a preferência por estereótipos, fruto do condicionamento por via do marketing. A vertente emocional é bastante mais difícil de esmiuçar, mas é responsável, por exemplo, pela preferência por um determinado tipo físico que nos desperta ecos emocionais (por osmose da emoção para um tipo de fetiche anatómico), ou, num fenómeno frequente mas muitas vezes mal compreendido, pelo alinhamento das nossas preferências e pelo aumento da nossa tesão perante o tipo físico de pessoa por quem nos apaixonámos, tendo-nos apaixonado por razões por vezes bem distintas dos atributos físicos. Os exemplos são frequentes – os homens que sempre gostaram de mulheres altas até se apaixonarem (a sério) por uma mais baixa, e que anos depois reparam que deixaram de reparar em mulheres altas, que agora são as baixas que lhes dão tesão.

Parte importante da tesão é uma coisa biológica. A vontade de foder é parte essencial da sobrevivência de qualquer espécie, e uma menor dependência dos ciclos do cio para assegurar a reprodução deu lugar ao estabelecimento de mecanismos ligeiramente mais complexos de gerar tesão. Esta redução do papel no cio e a sofisticação do processo da tesão teve teve dois resultados fulcrais para a espécie humana – permitiu a selectividade sexual como precursora da selectividade reprodutiva e da evolução, e por outro lado deu origem ao sexo não-procriativo, ao sexo como instrumento recreativo, emocional e social.

A selectividade sexual, que inclui a escolha de parceiros sexuais com base na tesão que nos dão, é na espécie humana mais refinada no género feminino. E isso faz sentido, já que historicamente (pensem paleolítico) são as mulheres que fazem um investimento mais relevante numa gravidez. Uma gravidez no paleolítico implicava de um homem um investimento de uns 15 minutos, já sendo generoso, ao passo que uma mulher podia arriscar o comprometimento de nove meses de gravidez, mais uns anos a cuidar do filho. Um homem podia copular com uma mulher e algum tempo depois copular com outra, ao passo que uma mulher, ao engravidar, cerceava logo ali as hipóteses de escolher o pai do filho. Assim, as que naturalmente faziam melhores escolhas acabaram por ter mais sucesso, e é delas que somos descendentes. As menos criteriosas morreram propagando menos o seu material genético. É a evolução a funcionar, gostemos ou não do resultado.
Os homens, pelo contrário, nunca tiveram qualquer incentivo à selectividade até lhes ser imposta a monogamia. A tendência primordial e biológica do homem é foder tudo o que mexa, para maximizar a probabilidade de gerar descendência. E embora o objectivo do sexo já não seja esse, é assim que parte do cérebro continua a funcionar, e é assim que se produz o mecanismo biológico da tesão.
Isso, entre outras coisas, explica por que razão os homens obtém mais tesão de estímulos visuais e as mulheres são mais atentas a outros factores.

 Mas, ao contrário do que alguns afirmam, os homens e as mulheres não são significativamente diferentes na quantidade ou na intensidade da tesão que têm. Existem enormes diferenças entre diferentes pessoas, mas não se dividem estatisticamente por género. No que um género e outro diferem é, muitas vezes, nas acções concretas que decorrem dessa tesão. E à medida que a sociedade evolui e nos afastamos mais dos estereótipos e das condicionantes baseadas no género, cada um fica mais livre para exprimir e agir, livre e conscientemente, sobre a tesão que tem. E ainda bem.

2 thoughts on “Ensaio Sobre A Tesão

  1. Luzia
    28/01/2014 at 21:19

    Pode ser que tenhas razão, mas há pessoas que têm formas muito estranhas de o fazer. De qualquer das formas e mais uma vez te digo que escreves muito bem.

  2. 31/01/2014 at 00:07

    Luzia, obrigado :)

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