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Há Parques De Estacionamento Mais Belos Que St. Jean De Cap-Ferrat

Lembro-me de um par de mamas em St. Jean de Cap-Ferrat; é uma coincidência feliz acontecerem-nos estas coisas, haver memórias de beijos e de mamas em lugares bonitos; a maior parte das mamas acontecem-nos em lugares banais – num cinema, num carro, na cama de alguém, na nossa, à porta de casa. e isso é uma vantagem – o lugar não nos distrai, deixa mais nítida a memória das mamas (todas as mamas são uma memória, todas as mamas se transformam numa memória, podemos esquecer muita coisa mas lembramo-nos das mamas, para o melhor e para o pior). Em alguns casos o lugar fica ligado, indelevelmente, à memória das mamas: uma serra já não é só uma serra, é a serra onde viste pela primeira vez as mamas de A., uma praia deixa de ser só uma praia, passa a ser a praia onde chupaste as mamas a B., uma estrada nunca mais será só uma estrada, é a estrada que fizeste naquela tarde, quase noite, a apalpar as mamas a D..

Às vezes as memórias assombram os lugares, transformam-os em meros cenários, tornam impossível lá voltar sem que volte a memória, sem que venha a imagem, sem que regresse o corpo de quem lá passou. Por vezes tens mais sorte, e as memórias felizes tornam os lugares felizes, depois de os corpos e de as mamas que ali houve terem passado a fazer parte do passado.

Há que saber, de cada coisa, o que lembrar e o que esquecer; o que importa e o que incomoda; distinguir o que se prende a nós do que nos prende às coisas.

Às vezes os lugares transformam-se nos lugares do primeiro dia do resto da tua vida.
Isso, normalmente, envolve mamas.

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