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Home

Nunca tive um sítio a que chamasse casa, talvez por isso chamasse casa a tantos.
Thomas Wolfe, no You Can’t Go Home Again, fala de uma casa perdida no passado, de uma casa que é um lugar mas que é um tempo, de uma casa que é de alguma maneira uma infância e um passado e um lugar a que não se volta, porque se vai sempre diferente.
Li-o como um homem leria um livro escrito por uma mulher sobre a sua relação com as suas mamas. Entendem-se as palavras, interessa-nos o assunto, percebe-se o sentido, mas de alguma maneira aquilo não somos nós.
Durante anos chamei casa ao sítio onde me deitava para dormir. Uma cidade, depois outra, uma terceira, e ainda assim senti-me sempre mais em casa no Soho a beber Guinness no 12-bar, a atravessar a rua para ir ao Crobar despachar um Jack Daniels antes de call it a night, eram para mim lugares tão familiares como a minha sala, mais familiares que a minha sala.
Talvez o You Can’t Go Home Again estivesse certo, pensei eu. Talvez não chames casa a nada porque casa é um lugar que já perdeste, que foi enterrado com os mortos e com o tempo que passa. E ainda assim não tens a nostalgia dele, não tive nunca a vontade de voltar atrás.
Só percebi muito mais tarde a verdade. Que Thomas Wolfe nunca entendeu nada do assunto. Só percebi mais tarde que casa é um lugar que se faz com as mãos. Que só chamas casa ao que abre os braços para te receber. Que só chamas casa ao que te faz sentir em casa do outro lado do mundo. Que casa é um lugar no peito de alguém. Que estar em casa é deitar a cabeça no teu colo. Tu a tua no meu. Que essa é a verdadeira casa. Que tudo o resto interessa pouco. Que a geografia, essa, não interessa nada.

4 thoughts on “Home

  1. Anonymous
    02/07/2013 at 02:15

    dito assim tenho saudades de casa neste momento.daquela que já não voltarei a viver…

  2. 10/07/2013 at 18:17

    casa é um tecto sobre a cabeça… lar…lar é aconchego, saudade, memórias, nódoas que contam histórias e retratos a perder a cor =)

  3. 23/01/2014 at 01:23

    Apetece-me dizer-te…

    bem vindo a casa. tenho a porta escancarada…finalmente!

    beijo

  4. 23/01/2014 at 15:49

    viviane,

    Obrigado! mas vê lá isso da porta, está um frio dos diabos! ;)

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