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I Have Your Back (Deal With It)

backNão quero saber se precisas ou não precisas. Aliás, nem sei dizer isto em português: “I have your back”. E isto é muito mais que “estou aqui para ti”, que faz pensar que estou aqui quando precisares, quando me chamares. E estou, mas não é só isso. Também é mais que apoiar-te, não estou cá para te dizer que sim, estou cá para te proteger e te defender e te ajudar, para te apoiar mas também para te dizer “não vás por aí” se estiveres a ir para um buraco que tu não viste mas eu vi. “I have your back” é eu ser olhos nas tuas costas, e ser encosto se estiveres cansada. Não é andar colado a ti, mas é teres sempre para onde voltar, e saberes que daqui ninguém te lixa. “I have your back” é massajar-tas, é proteger-tas, é dizer-te se as tiveres tortas, e também é virar-me costas-com-costas contigo na altura em que temos de atacar ou de nos defender de todas as direcções. “I have your back” é saberes que podes contar com o facto de eu estar contigo, em tudo, e sempre, e sem questões*.

Não é algo que possas escolher. Quando muito podes esconder-me as coisas para eu não me envolver nelas, ou proibir-me de fazer alguma coisa por ti. Ainda assim, I have your back.

Podes até não precisar. Sei que quase nunca precisas, que já te safavas lindamente antes de eu estar contigo. Sei que és forte, autónoma, corajosa, determinada, que sabes fazer mão de todos os recursos e ver a direito pelas coisas. Sei que em muitas coisas és melhor que eu, muito melhor que eu. Ainda assim, I have your back.

E sei que por vezes pouco posso fazer, ou porque vejo as coisas tarde, ou porque não posso intervir nelas, ou porque às vezes não estou sequer ali quando as coisas acontecem. Sei que faço o que posso e que o que posso às vezes não chega, não serve para nada. Ainda assim, I have your back.

Sei que estrebucho futilmente e sem acrescentar valor, e que faço mais perguntas que as respostas que dou, e que custa mais explicar-me as coisas do que resolver sozinha. Sei isso tudo. Ainda assim, I have your back.

Porque quero. Porque escolho. E porque não mandas em mim. :P

* Ok, com questões, obviamente com questões, mas depois de resolvermos os problemas, não antes, não durante.

13 thoughts on “I Have Your Back (Deal With It)

  1. 23/05/2014 at 08:49

    A questão é que cada super-mulher precisa ter em outro alguém um porto-seguro.
    Não para ser a muleta, mas para ser o apoio. Não para fazer as coisas por ela, mas para ela saber que, se preciso, alguém as consegue fazer.
    Podemos agir, falar e sentir que não precisamos de ninguém e que nos vamos aguentar a qualquer coisa. Mas é provavelmente nesse momento que a vida se encarrega de nos dar a humildade de saber que nem sempre vamos conseguir.
    E é tão importante ter quem nos ampare a queda…

    1. 23/05/2014 at 10:56

      E às vezes basta uma mão dada para não se chegar a cair

      1. 23/05/2014 at 20:16

        Uma mão, sim, mas altruísta.
        Mas que sei eu? Ando sempre a tropeçar. Felizmente já aprendi a rir e levantar, ou num último golpe de sorte, reequilibrar a tempo de me poupar ao embaraço.

  2. 23/05/2014 at 11:25

    Oh! I want something like that. Não menos do que isso.

    1. 23/05/2014 at 11:41

      há coisas – é preciso sabê-lo – que não se procuram, só se encontram… :)

  3. Filipa
    23/05/2014 at 14:26

    Não creio que este texto seja sobre o que nós mulheres precisamos ou sequer queremos, mas sim do que os homens querem e precisam ser para nós quando nos amam verdadeiramente, é mais “I Have Your Back” quer tu queiras quer não :-).
    Eu acho que sou a única mulher verdadeiramente independente que conheço e só me dou por amor, só o amor me interessa, portanto se estiver com um homem é porque o amo profundamente e essa será a maior prova de amor que lhe estou a dar, mas um homem torna-se verdadeiramente inseguro diante de uma mulher independente, talvez porque em Portugal, a realidade que conheço melhor, isso é uma raridade embora muitas digam à boca cheia que o são e uma coisa que percebi é que eles precisam de sentir que nós precisamos deles, que a protecção deles é importante, portanto um homem que nos ama dirá sempre mesmo que para si próprio “I Have Your Back”.

    1. 23/05/2014 at 15:04

      Filipa,

      É, de facto, um texto sobre o que eu quero e o que eu sou. Não presumo saber qual é o ponto de vista das mulheres, de facto a única maneira de o saber é se elas mo disserem; faço questão de deixar claro que se eu fosse adivinho, teria uma bela carreira no ramo em vez de fazer o que faço.

      A maior parte das coisas que se sentem de uma forma mais profunda por alguém, aliás, são largamente independentes do que os visados acham delas.

      Quanto à independência e ao medo ou não-medo que isso nos causa, acredito que muitos homens fiquem baralhados, apanhados num mar de vectores contraditórios, uns que dizem que as mulheres são iguais aos homens, outros que dizem que é suposto ser-se cavalheiro, uns que dizem que as mulheres são independentes, outros que dizem que homem é suposto tomar em mãos algumas tarefas que lhe são exclusivas. Ainda há muito homem (não quero particularizar o caso Português porque há muitos outros países iguais ou piores) que se sente desconfortável se a mulher ganhar mais que ele, se a namorada tiver um carro muito melhor que o dele, se a namorada fizer sozinha os arranjos eléctricos lá de casa em vez de lhe pedir a ele, se a namorada tiver um furo num pneu e ligar para o ACP ou a um amigo em vez de lhe ligar a ele.

      Destes que se sentem desconfortáveis, alguns reagirão pelo confronto, outros pelo afastamento, outros pela insegurança; a insegurança transforma-se, tantas vezes, numa espécie de pôr em bicos dos pés a dizer “estou aqui! estou aqui! pede-me ajuda, bolas, deixa-me ajudar!”.

      Curiosamente, se for a mulher a ter este comportamento e a dizer ao homem “eh pá, estou aqui, estamos juntos, deixa-me ajudar nas coisas, abre-te, partilha, divide o que te preocupa” todos acham (acho eu) que ela está a fazer uma coisa normal e natural e que ele é que está a ser uma besta por não querer partilhar com ela o que o aflige.

      Se é o homem a fazer o mesmo, é uma besta à mesma, porque não respeita a independência dela, é um menino e um inseguro que não consegue aceitar que ela é uma pessoa independente e não precisa dele para nada, e está com ele porque quer e não porque precisa.

      Sim, gostamos de “have your back”. Mas, ao mesmo tempo, nunca quis namorar com mulher nenhuma que precisasse de mim. Se calhar tive foi a sorte de elas serem realmente independentes e senhoras de seu nariz, ao ponto de não precisarem de me esfregar a sua independência na cara, e aceitarem que um casal não são só dois independentes a morar na mesma casa, e me deixarem “have their back”, verdadeiramente, e perceberem que cada um tem a sua maneira de mostrar amor, e isso faz parte da minha; podem rejeitá-lo, como quem rejeita um beijo dizendo “chato, pá, lá estás tu a ser meloso”. As coisas, citando um filósofo da nossa praça, são o que são. :)

      1. Filipa
        23/05/2014 at 18:28

        Antes de mais, obrigada pela generosidade de responder a quem comenta;
        O inicio do meu comentário teve mais em conta os comentários anteriores que li ao seu artigo, não me passou pela cabeça que pretendesse demonstrar que sabe o que vai na cabeça das mulheres, por isso mesmo comentei nesse sentido, para mim era claramente o ponto de vista masculino da coisa e como me disse no seu comentário é o seu e se assim é, dou-lhe os parabéns, porque ao contrário do que pelos vistos interpretou, “have your back”, é para mim sinónimo de, amo-te verdadeiramente e por isso estou cá para o que der e vier mesmo que aches que não precisas, é uma verdadeira declaração de amor de um homem através da atitude com que está na relação e claro que uma relação não são duas pessoas independentes a viverem cada uma para seu lado sem se ligarem nenhuma, para isso continuavam a viver sozinhos.
        Há… e eu também nunca esfreguei a minha independência na cara de ninguém, disse-lhe a si, achei que a si podia dizer, estaria a salvo, a salvação que o anonimato nos permite e porque o meu interlocutor é por aquilo que aqui vim descobrir e ler suficientemente inteligente para saber perfeitamente do que eu estava a falar, mas acho que afinal o irritei um bocadinho e disso eu não estava à espera, mas pronto, agora que descobri o seu blog e gostei tanto do que li, irritado ou não, vou andar sempre por aqui a bisbilhotar alegremente.

        1. 24/05/2014 at 11:56

          Filipa,

          pelo contrário, não me irritou nada, e se transmiti essa impressão, falhei completamente o meu objectivo :)

          O meu ponto de vista sobre o que é e o que significa o “have your back” está alinhado com o seu; e quando falava de quem esfrega a independência na cara dos outros, não estava a falar de nenhum caso concreto, muito menos a sugerir que seria o seu caso – nada no seu comentário me fez pensar que o fosse, e a Filipa acabou de reiterar que o não é.

          Tenho este mau hábito de dissertar sobre coisas nas respostas a quem comenta, peço-lhe que não entenda isso como um comentário dirigido, porque o não é :)

          (quando faço comentários dirigidos a alguém, acredite que se percebe à distância, não fico pelos subentendidos – os subentendidos funcionam mal em pessoa, quanto mais por escrito… :) )

          Espero que eu continue a escrever coisas que lhe dêem vontade de as continuar a ler, e espero que não a tenha, com o tom do meu comentário, desincentivado de continuar a comentar… :)

          1. Filipa
            25/05/2014 at 13:11

            Claro que não me desincentivou e irei comentar sempre que tiver vontade.
            Já agora, este foi o primeiro texto seu que li, no dia em que descobri o seu blog, primeiro ainda pensei que tinha entrado num site pornográfico e quis fugir a sete pés, nada contra, mas não é o que me interessa procurar na net, ainda bem que a curiosidade foi mais forte e comecei a ler, tive logo vontade de comentar e depois quis ler mais e fiquei com pena de não o ter descoberto mais cedo. Do que li, vou dizer-lhe o meu Top 3: 3.º”porque se quer f. alguém”; 2.º “o que quer esta mulher de mim”; 1.º “amor, princípio, meio e fim”, os que coloquei em 1.º e 2.º é porque parecia que alguém me tinha lido os pensamentos e à minha revelia os tinha postado organizados e muito bem escritos num blog, não podia concordar mais.
            Leio muita coisa e nunca tinha lido ninguém que falasse sobre relações, sobre amor com tanta lucidez, até porque é um tema difícil, porque o amor desorganiza-nos, fragiliza-nos, despe-nos não só os corpos como as almas e deixa-nos por vezes tão perdidos que nos transforma em meros meninos e meninas de nossas mães.
            Obrigada por partilhar os seus pensamentos, é que vale mesmo a pena ganhar tempo a lê-lo.

          2. 26/05/2014 at 19:15

            Filipa,

            Muito obrigado pelas suas simpáticas palavras.
            A verdade, se calhar, é isso mesmo: somos todos meninos e meninas das nossas mães, e se calhar ser crescido é isto mesmo, é perceber que podemos deixamos de ser quem fomos, mas não conseguimos tirar isso de dentro de nós (isto parece profundo mas é só uma variação do “consegues tirar um homem do Cais do Sodré, mas não consegues tirar o Cais do Sodré de dentro dele”).

            Divirta-se, e espero que vá dizendo coisas.
            E já vi que percebeu que a pornografia só serve para ter a certeza que só por cá fica quem quer mesmo ler as coisas… (e a semiótica é para afugentar quem só cá venha pela pornografia…) :D

  4. 23/05/2014 at 14:30

    True.

    1. 26/05/2014 at 19:01

      :)

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