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Liberdade

Não estamos preparados para lidar de uma só vez com a liberdade. Estamo-lo enquanto pessoas, mas não enquanto povo, porque as nossas liberdades são todas diferentes, e chocam-se umas com as outras.

Acima de um certo patamar, a quem não chegámos, não fará sentido falar em liberdade, quando tudo for discutível e tudo for questionável mas ninguém puder impôr nada a ninguém. A liberdade aí é um facto, mais que um direito, e a verdadeira discussão não são as regras, mas decidir sobre o que é que pode haver regras, e sobre o que é que é do foro de cada um.

Até lá a liberdade ganha-se aos poucos, uma revolução de cada vez, e a revolução é aprendermos todos a decidir o próximo degrau.

A decidir que ninguém tem nada a ver com aquilo que eu penso, o que eu vejo ou o que eu leio.

A decidir que ninguém tem nada a ver com aquilo que eu digo ou que eu escrevo, desde que não o imponha aos outros nem viole a liberdade de ninguém.

A decidir que a vida privada de cada um é só sua.

A decidir que as escolhas de cada um são só suas.

Um dia saberemos decidir e arbitrar entre os direitos dos muitos e os direitos do um, e saberemos em que casos escolher uns ou os outros.

Um dia decidiremos que o direito a ser protegido das ideias dos outros não pode ser superior ao direito dos outros a ter ideias.

Um dia decidiremos que não há ideias perniciosas, só deficits de educação.

Um dia decidiremos que proibir coisas em nome da moral é tão brutal como proibi-las em nome de outra coisa qualquer.

E à medida que aprendermos, que subirmos os degraus, chamaremos a isso a liberdade.

 

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