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New York, London, Madrid, Paris

Não voltaremos a ter Paris, talvez as cidades violadas nunca recuperem, mas não há cidade no mundo que não tenha sido violada. Exigem-nos que aprendamos a viver assim no meio do medo, com a consciência de que somos frágeis, entre a memória do que nos fizeram e o temor de que o voltem a fazer.

A vida é este lugar precário; pedem-nos que vivamos sem o peso permanente desse medo, como se pudéssemos viver sem o sentir. Distraem-nos com pão e circo, como se o circo derrotasse o medo – e por vezes derrota-o, até que nos relembram que há um mundo lá fora e é real e é perigoso.

Entre os pingos da chuva, recordamos uma Paris em que, acima de tudo, nos esquecêramos do medo, uma Paris onde a ignorância, a inconsciência, nos fez poder ser felizes.

(Esta cegueira de viver sem a plena consciência de tudo, esta cegueira que é a mesma que nos torna frios, arrogantes, egocêntricos, xenófobos, cruéis, é o que nos permite, em pequenas e homeopáticas doses, viver sem que nos assoberbe o medo, sem que nos enlouqueça a multidão e a diversidade dos seres vivos, sem que nos esmague a percepção da dimensão do universo. O importante, nos venenos, são as doses.)

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