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O Caminho Não É Pela Tua Cona

hand in your pussyPoderíamos trocar quase tudo por sexo, por fodas sucessivas, ininterruptas, espaçadas apenas pelo tempo de comer e de dormir; talvez isso nos fizesse mais felizes, por uns tempos, até o Maslow se nos encher de esperma solto, até as tuas mamas deixarem de se erguer quando lhes toco. Poderíamos trocar quase tudo por sexo, o coito consecutivo, e faltar-nos-ía, depois disso, tudo. Não falo do amor, o amor é uma coisa tão vaga e tão concreta como a faças, é um nome que dás a coisas inomináveis, a coisas que sentes, juntas, com alguém e por alguém, e para simplificar chamas-lhe amor, por isso é tão difícil definir, afinal são coisas diferentes para toda a gente, o amor são as coisas que te fazem querer mais, e querer alguém, e querer ali. O resto, podíamos trocá-lo quase tudo por sexo, e depois faltariam os dias, e as noites. Nunca conheci um afogado que tenha dito que o melhor de morrer na água é não ter sede. Nunca conheci ninguém que tenha dito que o sexo lhe bastava e ainda lá esteja, nesse lugar que lhe chegava. Todos passamos à frente, porque o sexo é imprescindível mas não basta, é insubstituível mas não chega, e o que for só sexo rápido se esgota. O que dura é o resto; pode não durar sem sexo, talvez o sexo sirva para isso mesmo, para fazer o resto durar, e talvez seja um fim em si, e talvez as coisas só funcionem quando forem as duas coisas, juntas, um yin de um yang qualquer que só perdura misturado. Poderíamos trocar quase tudo por sexo, ficar ali só a foder com o horizonte ao fundo, fechar o mundo lá fora como se o amanhã não fosse hoje, encontrar um no outro o que nos enchesse a alma ao nos encher o corpo. Mas queremos mais, queremos ser gente, e não só corpos que fodem, queremos ser gente uns para os outros, ter ideias e partilhá-las, crescer, aprender coisas e ensiná-las, construir a meias, fazer juntos. Queremos fazer caminhos ao andar, traçar rumos próprios, e olhar para o lado e ver-te ali e perceber que posso ainda dar-te a mão, que escolho dar-te a mão todos os dias, cada dia. Talvez o que nos faça mais felizes não é saber que tens alguém mas sim que alguém quer que tu o tenhas. E, para isso, tens de lhe soltar a mão; só assim sabes que volta. Isso da felicidade, se calhar, é um sorriso e uma mão dada. E o caminho para lá não é pela tua cona. Foder é uma coisa que se faz quando já se é feliz.

3 thoughts on “O Caminho Não É Pela Tua Cona

  1. 16/06/2016 at 09:12

    Que prosa brutal!
    Não me apraz adjectivar de outro modo. Brutal!

  2. naointeressa
    18/06/2016 at 09:32

    Grande, grande texto. De gajo à séria.

  3. Maria João Marques
    27/06/2016 at 12:05

    “Todos passamos à frente, porque o sexo é imprescindível mas não basta” . Como tens razão ! O sexo até pode ser brutal, mas se não tiveres outras coisas…. tás lixado .

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