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O Impressionismo

No meu tempo não havia “gourmet”, dizia-se só que a comida era pouca, ou que era esquisita.

Claro que há bom gourmet e mau gourmet – há quem realmente procure superar-se com a qualidade dos ingredientes, a excelência da técnica, a sublimação das das texturas, dos sabores, das combinações.

Mas também há quem não seja sério nisto, vá atrás do que é gourmet sem saber distinguir umas febras de uns secretos. A diferença principal é essa: No meu tempo ninguém comia coisas esquisitas só para parecer bem aos outros. Ou vá, havia menos gente a fazê-lo, e não de forma tão ostensiva.

A maneira de saber se um restaurante gourmet é bom é ver se lá vai alguém comer sozinho. Se alguém vai sozinho comer a algum lado é porque gosta da comida. Quem vai com companhia nunca se sabe ao certo se vai por gostar ou se vai só para se armar, em rico, ou em sofisticado, ou em erudito.

O sexo é uma coisa parecida, com a diferença que não se faz sozinho. E o sexo também pode ser gourmet, com técnicas, e acessórios, e rituais, aquilo a que chamaríamos modernices se não viessem já no kama-sutra de há milhentos anos. A principal diferença é que nos gourmets do sexo não é nada fácil distinguir as coisas que fazem porque gostam das que fazem só para impressionar. E, na óptica do utilizador, isso se calhar não interessa nada.

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