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O Mundo, Amor, Acaba Onde Quisermos

À medida que se vive deixam-se memórias nos lugares e nos corpos.

E da memória e dos lugares e dos gestos se faz mapas, escritos a tacto nos corpos com tinta invisível, tatuados por baixo da pele onde a vista não chega e só o tacto alcança.

As minhas mãos correm-te o corpo como a um mapa. Na minha mente percorro-te o corpo e é esse o destino das mãos, percorrer-te e navegar estradas inteiras de ti. As minhas mãos percorrem-te a pele, percorrem-te o cheiro e o gosto. Não preciso de te ver, nem de te ouvir, quero ver-te e quero ouvir-te mas não hoje, não agora, agora quero apenas percorrer com as minhas mãos o teu corpo como se fosse o mais antigo mapa dos limites do universo, do meu mundo limitado e consciente e convicto.

E como nos mapas antigos, fora de ti só há dragões. E, ao contrário dos cartógrafos antigos, não preencho com mitos de dragões o desconhecido. Ao contrário dos cartógrafos antigos, sei o que há fora do mapa, onde há dragões. O que eles omitiam por ignorar, eu omito exactamente por sabê-lo. E por querer que seja ali, nessa fronteira, que acaba o mundo.

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