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Quando O Resto De Ti Já Vive Em Mim

Chupo-te as mamas como quem inspira a alma. Lambo-te os mamilos como se beijasse um rio, uma nascente longa e interior de onde se derrama o querer. Toco-te como quem lê hieróglifos na tua pele, tatuados em braille nos teus poros, na pele de galinha, a levantar-se à passagem dos meus dedos para a seguir desaparecer em seda e cheiros e em veludo. Nunca te chupo as mamas como se fosses um corpo, não me servirias se não passasses de um corpo, se não fosse a mente que me quer e a alma que me fode. Não sei se existe ao certo, a alma. Sei que não me alimento da tua carne mas dos teus gestos, do teu verbo. O teu corpo é o tronco de que escorre a seiva das palavras, flui dos teus lábios, dos teus olhos, das tuas mãos, e é nas palavras que mergulho e nado e emerjo inteiro no teu seio, do outro lado do desejo e da vontade. O lugar onde a minha tesão nasce é nos teus braços, tu conjura-la do escuro, do vazio, onde antes de ti não há nada. E a tesão orbita-te as palavras e as ideias, emana da alma questionável, nasce-te do centro, da partícula invisível e hipotética do ser. Nada disto é corpo, mas através dele. Quero-te, e quero-o, como a um livro predilecto se quer pelas palavras e não pelas folhas, mas é nas páginas que se alonga a vista, se demoram os dedos, é o corpo dos livros que se estreita ao coração, mesmo sendo as palavras que o preenchem. É ao teu corpo que quero agora em minhas mãos, os teus seios nos meus lábios, as tuas pernas a envolver-me; o resto – mais importante – de ti já vive em mim.

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