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Se Fosses Muito Bom Na Cama, Que Farias Tu Com Isso?

Ninguém sabe se é bom em sexo porque não há forma de comparar.

Ao contrário da cozinha, não se faz sexo com um grupo de amigos que nos elogiem ou não.

Ao contrário de cantar, não se faz uma espécie de karaoke de sexo em que várias pessoas lá vão mostrar do que são capazes e se percebe quem é bom pela quantidade de aplausos.

Dependemos, para sabermos se somos bons, do comentário das pessoas com quem vamos para a cama, e a maior parte, seja por caridade, por interesse ou por falta dele, não nos vai dizer que foi o pior sexo que já tiveram nos últimos cinco anos.

Eventualmente comenta-se sobre a performance sexual dos amantes com as amigas, e muitas vezes nem isso.

Não há apps tipo Yelp para dar estrelas às pessoas com quem tivemos sexo*, e se as houvesse também não seria muito útil, há um pudor que nos impede de dizer “recomendo que vão para a cama com o Arnaldo, que faz minetes de forma muito competente”. Seriam provavelmente usadas só como vingança, só para dizer mal.

Podíamos usar os profissionais do sexo para nos avaliar, mas estes estão tão condicionados que só nos diriam que somos, sempre, muito bons.

Podia é haver, não sei se há, avaliadores de sexo, pessoas com quem se vai para a cama para nos dizerem se somos bons, o que fazemos bem, o que podíamos melhorar e como. Treinadores de sexo, que ensinem na prática técnicas e métodos e avaliem a nossa execução. Quem diz treinadores individuais diz treinadores para casais, de ambos os sexos, casais de treinadores a ensinar e a avaliar casais de alunos. Não sei se funciona numa escala maior, é mais difícil imaginar a logística de aulas de sexo dadas em grupo como se fosse uma aula de zumba.

Mas estas coisas, se existem, não são divulgadas; se alguém sabe de alguém, que avise, para que se divulgue.

Até lá continuamos todos a ser tão maus na cama como sempre fomos, a pensar-nos épicos sendo patéticos, sem saber sequer ao certo a dimensão da nossa mediocridade.

* podia ser uma funcionalidade do Tinder

One thought on “Se Fosses Muito Bom Na Cama, Que Farias Tu Com Isso?

  1. 11/05/2017 at 14:11

    Se eu fosse/for muito boa na cama, faço o que faço actualmente.
    Mesmo não sabendo se a pergunta é restrita ao universo do sexo ou transversal a outros ‘departamentos’ da vida, a resposta é igual.

    (Este post tem muita matéria boa para se pegar. Vou seguir uma ou duas ideias para já.)

    Há um lugar comum, mas que nesta caso se aplica muito bem, que tem a ver com o entendimento de que o ser-se bom na cama também depende muito do parceiro (a). Porque há pessoas que não funcionam bem, também a este nível, com certas pessoas e funcionam muito bem com outras. E, então, o problema é meu ou é delas? Pode não ser de nenhuma daquelas partes, salvo em caso de patologias que desde já arredo deste discurso.

    No caso dos profissionais do sexo pode ser diferente, já que o foco está na mecânica e investem nessa área.

    Não sei se há avaliadores da performance sexual, mas também não me parece pertinente existirem.
    Sou uma apreciadora das margens, enquanto grande militante e entusiasta dos figurinos fora dos formatos chapa dez, e por isso dou-me mal com rótulos, nem que seja o de “boa na cama”.

    Contudo, o empenho na performance não é de descartar, tanto para sentir prazer como para dar prazer.
    Nesta perspectiva, existem vários exercícios praticados em várias modalidades – por exemplo, há alguns nas minhas aulas de pilates e de localizada – que contribuem para se sentir/estar bem a nível sexual.

    Bom na cama, avaliadores, comparar desempenhos…
    Muita da importância atribuída a estas medições depende do modo como se quer o sexo, a atitude que se tem perante o sexo.
    Se se considerar que o sexo é uma prática, a lógica da ginástica e dos rankings aplica-se. Se se considerar que o sexo acontece, ou que o melhor sexo é o que acontece, o jogo muda.

    Nunca comentei qualquer tipo de intimidade sexual (a sós ou com outra pessoa), nem tenciono fazê-lo. E isto está muito para além do respeito pelos outros. É porque não gosto de o fazer e também não aprecio confidências desse tipo.

    Em muitos casos (a maioria? não sei) não é fácil falar de sexo com quem se tem sexo. Se é bom ou se é mau? Nem uma coisa, nem outra. É, apenas.
    Também não sou adepta de se falar de tudo e mais um par de botas com quem se está, com quem se partilha pedaços importantes da vida. (Aquele falar de tudo aplica-se a sexo e ao resto.) E isso não tem de significar restrições à intimidade e à cumplicidade.

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