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Semiótica Aplicada, Explicada Aos Simples

A diferença entre as coisas – entre o passageiro e o que marca, entre o relevante e o vazio, entre a beleza e o lixo, entre a arte e o exibicionismo – reside, antes de mais nada, na capacidade de a ver.

Fazer arte para os simples consiste em entender que os simples só alcançam a primeira camada das coisas, tomam tudo pelo valor facial porque não atingem mais que isso.

Quem é mais sofisticado coloca duas camadas, permitindo que os simples mais atentos alcancem um pouco para além do óbvio; isso tem o efeito duplo de os fazer sentir superiores e de os fazer pensar que aquilo é arte a sério e é excelente. Irão, em seguida, explicar aos outros simples o quanto eles são brilhantes e como aquela arte é boa. E isso é positivo para as vendas.

Quem enterra o significado em múltiplas camadas, três ou quatro, de significantes, de nuances, de subentendidos, camadas de coisas que é preciso ter lido e visto e vivido outras coisas para entender, quem faz isso está tramado se quiser ter audiências.

A principal característica dos simples é serem muitos.

Escrever para os simples não é um defeito. É uma opção. Como ser puta, na categoria “40€ meia hora, 60€ uma hora, completo são mais 10€”.

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