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Ser Ou Não Estar, Eis A Questão – Dois Minutos A Pensar Sobre A Felicidade

Estás feliz? És feliz?
Algumas línguas – entre elas a Portuguesa – distinguem o verbo “ser” do verbo “estar”.Isto introduz mudanças subtis mas profundas na maneira de pensar dos falantes nativos dessa língua.
A existência desta diferença, patente na língua do dia-a-dia, convida-nos a juízos sobre a permanência dos factos. A diferença entre “eu estou apaixonado por ela” e “eu sou apaixonado por ela” é algo que não faz sentido nenhum para um inglês. Em português uma das frases parece mais estranha que outra, o que já nos dá uma pista – comparemos com a mesma frase, substituindo “ela” por “gambas”. Grande parte das pessoas achará que o normal é “eu estou apaixonado por ela” e “eu sou apaixonado por gambas”, o que traz implícita a noção de que as paixões por pessoas são passageiras, e que gostar de gambas é uma coisa muito mais permanente.
Isto tudo por causa da felicidade e da diferença entre “estar feliz” e “ser feliz”.Instintivamente, sabemos que são coisas diferentes, que é coisa que um inglês não sabe nem consegue perceber. E no entanto estar feliz não é nada o mesmo que ser feliz.
Estar feliz pressupõe, senão algo de efémero, pelo menos algo que acaba. E tal como acaba, é normalmente algo que começou de uma forma definida, à qual atribuímos uma causa.
Ser feliz, pelo contrário, faz pensar em algo de permanente.Por vezes nem conseguimos definir exactamente o que o causou, ou como começou.
Mais do que definir-se, a felicidade sente-se. Já se procurou definir, fizeram-se estudos, inquéritos. Chegou-se a algumas conclusões – a principal delas é que a maior parte das pessoas sabem quando se sentem felizes. Podem não saber lá chegar, mas sabem quando lá chegaram.Muitos dos que, sem razão aparente, nunca a conseguiram sentir de uma forma que ultrapasse o pontual e episódico “estar feliz” por mais do que uns momentos de cada vez são inibidos disso por um conjunto de outras preocupações que se situam ao nível da Teoria Geral do Contentamento.
A noção de permanência do “ser feliz” não implica convicção absoluta, como é óbvio. O que implica, isso sim, é uma transformação a um nível profundo do indivíduo – ser apaixonado pelo mar é algo que nos muda, passamos a ser assim, ao contrário de estar apaixonado pelo mar, que só por ser dito assim implica que isso amanhã pode mudar e vai provavelmente mudar – pode ter impacto em nós, mas não nos muda por dentro.
Voltando às gambas, nada faz pressupôr que alguém que goste de gambas venha, a prazo a deixar de gostar, embora essa possibilidade exista sempre. Dizer que somos de uma certa maneira não implica fechar os olhos ou não querer ver que a vida muda e as coisas também. Nada é “para sempre”. Mas nem tudo tem prazo de validade.
 A diferença de “ser” algo é o factor de transformação que isso opera em nós. Ao passar a funcionar internamente de outra forma, podem cessar as causas ou os efeitos, mas nunca voltaremos ao que éramos. Aplicado à felicidade, isso não significa que quem passa a “ser” feliz não volte a conhecer a tristeza ou a infelicidade.Mas mudam os olhos com que se vê a vida. Ser feliz ensina-nos a estar bem por dentro, ensina-nos que é possível ver a vida de outra maneira. E isso faz toda a diferença, mesmo quando a vida não nos sorri – ser feliz ensina-nos que sorrir de volta é, sempre, uma opção nossa.

5 thoughts on “Ser Ou Não Estar, Eis A Questão – Dois Minutos A Pensar Sobre A Felicidade

  1. Liz
    11/06/2013 at 13:23

    Gostei! Não pensei ser possível misturar gambas e felicidades mas depois pensei: quando como gambas sou uma pessoa, efectivamente, feliz :)

  2. Anonymous
    11/06/2013 at 15:58

    Mas não percebi … Comes gambas para ser feliz ou quando estás feliz comes gambas? (e estou a meter-me contigo; percebi tudo, eu é que detesto gambas :)

    Maria

  3. 11/06/2013 at 16:33

    To be or not to be. Pensei nesta questão no outro dia, tal qual como a descreveste, à excepção das gambas. Entre o ser e o estar existe uma sublime, mas tão fulcral diferença..

  4. 11/06/2013 at 17:12

    Pelos vistos a opinião sobre as gambas divide-se, não as tinha na conta de tao polémicas! :)

  5. 18/06/2013 at 22:45

    De tal modo apaixonante o tema, ainda me verei obrigado a comentá-lo em forma de “post”. :)

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