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Sexta-Feira Treze

Há quem evite gatos pretos, entre em pânico se partir um espelho, dê a volta para não passar sob uma escada, acredite nos poderes negativos de derramar sal, de abrir um guarda-chuva dentro de casa (se por acaso se abrir uma vez, tem de se abrir mais duas vezes, se forem três a coisa evita-se), quem não sente 13 à mesma mesa, quem evite acender três velas ou três cigarros com o mesmo fósforo (até há quem “modernize” isso para a mesma chama de isqueiro), há quem nem sendo obrigado dirá “Macbeth” num teatro ou desejará sorte a um actor.

Há quem ache que isto é tudo verdade e exemplifique com a falecida prima Amália, que uma vez há muitos anos não reenviou a dez pessoas uma daquelas cartas e um mês depois lhe caiu o cabelo todo, verdade verdadinha, nas fotos não se vê mas era porque usava peruca, há os que dizem que não acreditam mas fazem à mesma, “nunca fiando”, há os que juram a pés juntos que isto é tudo uma treta e uma aldrabice, com a mesma convicção que afirmam que nunca viram o TLC ou os programas da tarde da TV.

A sexta-feira treze vem e vai, todos os anos, 171 vezes por século, e para trás ficam os que juram que azar foi daquela vez em que o pai da Lúcia chegou a casa mais cedo, da outra em que saíram do bar, foram pela Marginal e era mesmo onde a polícia estava, e quando, há treze anos, se rompeu o preservativo (ó Jorge Maria, larga lá a PlayStation e vai perguntar à tua mãe que raio é que ela fez para o jantar, que só me cheira a couves).

 

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