1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (No Ratings Yet)
Loading...

Spring Cleaning

Um dia por outro, de vez em quando, vinha aquele a que ambos chamavam o tempo das vindimas. Colhia-se o velho para dar lugar ao novo, limpava-se a casa de cima a baixo, ficava só o que tinha valor sentimental. Mas até os artefactos rareavam, dados em vida a filhos e netos, que a lucidez para decidir é coisa que não se conta que os que cá ficam tenham, não naquelas alturas.
Do tudo o que não guardava sentimentos, limpava a casa e a vida do que não servia, do que acumulava pó e tolhia os gestos. 
Num desses dias, nos dos seus ímpetos de limpeza, encontrou-o em cima da mesa e pensou há quantos anos o tinha, mais de vinte, mais de trinta.
Continuou a limpar e a deitar fora o que era velho.
Quando terminou de limpar, era a única coisa velha lá de casa, aquele amor. Mas era usado todos os dias.

One thought on “Spring Cleaning

  1. Vic
    12/06/2012 at 12:05

    Um amor que não é usado todos os dias, esmorece. Não é nada bom, isso.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.