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Stockholm Sin

sarah_7_by_barelight-d4okzv4Até que passem muitos anos
questionarás
a independência dos corpos
a independência das almas

E dirás
que os corpos nascem presos e se soltam
que as almas nascem livres e se atam

E que as grades afinal não eram nada,
e que afinal está mais preso quem tem a alma atada,
que a corda mais grossa de todas é a corda da vontade

 

(Até que passem muitos anos
sairás de dia à rua
em busca de quem esperam que tu sejas –
e acharás que não o achar
é falha tua

E depois passarão anos
até que entendas:

Que te querem para o que não és, pelo que não tens
Que te querem mas não é a ti –
Querem o outro que acham que devias ser

E tu deixaste que te quisessem assim
e tu aceitaste que te quisessem mudado
como se alguém estar com alguém
fosse um favor e não uma oferta

E no que não mudaste,
no que não conseguiste,
ainda sentiste culpa)

 

Até que passem muitos anos
submetes-te ao teu captor: dás-lhe razão

Até que passem muitos anos
e a alma mude
e o corpo mude

Ou até que acordes um dia
do sono acordado, do rapto do ego,
e compreendas
a independência dos corpos
a independência das almas

E entendas
que a vida é um jardim de inverno
onde poucos te plantam algo
onde outros vêm colher, sem ter plantado,
e afinal ainda se queixam da escassez

 

2 thoughts on “Stockholm Sin

  1. Filipa
    13/11/2014 at 19:46

    Bolas! que bom isto Menino, a verdade em forma de poema…
    Mas quando acordamos do rapto do ego e descobrimos a independência dos corpos e das almas e assumimos a nossa própria independência, quando deixamos de nos querer moldar ao que os outros esperam de nós e nos assumimos inteiros tal como somos, não com a casmurrice de quem não muda nada por teimosia mesmo que os outros tenham razão, mas quando assumimos a nossa essência, o direito de existir com as nossas particularidades que não prejudicam ninguém, quando nos aproximamos do verdadeiro conceito de liberdade, o jardim de inverno passa a ser algo que constatamos que existe, mas para o qual passamos a estar nas tintas e se em nós encontrarem escassez, é irem procurar a abundância para outro lado e não nos chatearem ;-)

    1. 04/12/2014 at 09:31

      Filipa,

      Por outras palavras, “se não gostam, há quem goste, se não querem, há quem queira”… :)

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