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Strangers In The Night

pretty dress pretty flash 2As mulheres – se é que se pode estereotipar assim, dizer “as mulheres” – são seres competitivos, talvez mais competitivos que os homens, certamente competitivos de uma forma diferente. Note-se que não existe o conceito de “fêmea alfa”, e não existe porque simplesmente as fêmeas não reconhecem facilmente a superioridade de outra*, são competitivas ao ponto de nunca desistir de se medir com elas.

São, de facto, especialmente competitivas entre elas; numerosos inquéritos concluiram que as mulheres quando saem se vestem não só para os homens, não só para elas mesmas, mas também e em grande medida se vestem para as outras mulheres – o julgamento que temem é o das outras mulheres, e quando perguntam “pareço gorda com isto?” não querem saber se o homem a acha gorda ou não, querem que ele lhes diga se acha que as outras mulheres a vão achar gorda com aquilo.

É dificil elencar tudo o que teríamos de saber para entender as mulheres, mas é fácil encontrar coisas que não podemos ignorar, e esta é uma delas. E homem que queira estar numa relação com uma mulher tem de entender se, em que medida, e de que maneira a sua mulher é competitiva**, e tem de decidir o que é que ele quer fazer em relação a isso.

Vem isto a propósito do Dia de S. Valentim, que é amanhã.

As mulheres – essas do estereotipo – por um lado dizem que não ligam nenhuma ao dia, que o amor é importante é em todos os dias do ano, mas ao mesmo tempo ficam chateadas se o homem não assinalar o dia com uma surpresa, com um gesto, com uma oferta, com uma celebração.

Algumas queixam-se amargamente do péssimo ambiente da maior parte dos restaurantes neste dia, da parvalheira que são certos menus, da pirosice de muitas das decorações, do ar de galinhas de aviário que os casais têm, cada um em mesas alinhadas como se fossem gaiolas, muitos parecendo estarem ali pouco à vontade, a fingir, com ar de frete. E, no entanto, se lhes for sugerido jantar serenamente em casa, com um menu muito melhor e muito mais condições, e depois ficar no sofá juntos, a usufruir da companhia indisputada um do outro, algumas delas estarão contra, respondendo com um “parece impossível! estou sempre aqui fechada em casa! nem no dia dos namorados me consegues levar a lado nenhum!”.

Os homens baralham-se, especialmente os que, por uma razão ou por outra, percebem menos de mulheres.

Os homens não entendem que estas ocasiões são um gigantesco e inconsciente campeonato mundial só para mulheres. Os homens não entendem que a mulher – nem todas as mulheres, é claro, mas a mulher do estereotipo, é dessa que falamos – se sente menorizada se tiver menos que “as outras”. Para a mulher é importante sair e ir-se medir com as outras. Reforça-lhe o ego ancestral saber que é a mais gira do restaurante, a mais bem maquilhada, a que anda melhor de saltos, a que tem o cabelo mais bonito, a que vai pelo braço de um homem mais apresentável. É por isso que as mulheres nos escolhem roupa, para se sentirem bem ao nosso lado, para que as possamos fazer sentir-se bem.

Homem que ama uma mulher tenta entendê-la. Homem que ama uma mulher tenta fazê-la feliz. Homem que ama uma mulher compreende que uma mulher precisa de se sentir bem com ela mesma para se sentir feliz, e entende que se isso passa por uma forma primitiva e inconsciente de competição feminina, homem que a ama só tem que a apoiar e fazer tudo o que estiver ao seu alcance para que ela consiga “ganhar”. Se isso implicar roupa nova, cabeleireiro, uma prenda dada de manhã para ela poder usar ao jantar, se isso implicar jantar fora em sítio giro, ou bom, ou da moda (para ela poder comparar com as colegas do escritório, mesmo que ela vá pôr um ar blasé e dizer “fomos ao Eleven, não achei aquilo nada de especial”), se isso implicar ela passar mais tempo a produzir-se do que o tempo que vai passar a jantar, tudo isso vale a pena se ela puder sair de casa, entrar no carro, entrar no restaurante a sentir-se vencedora.

Os homens competem de outras formas, competem querendo que tudo o que fazem faça sentido, deixe marcas, tenha consequências, seja importante. Competem superando-se a si mesmos. Por isso são péssimos em tudo o que não seja “épico”, ou “relevante”, ou “interessante”. Por isso desesperam com o dia a dia, com a roupa que está sempre por lavar, com a comida que é preciso estar sempre a fazer, com a casa que ainda ontem foi limpa e já está em polvorosa, com os miúdos a quem se passa a vida a dizer as mesmas coisas, com o emprego em que não se é promovido há anos.

As mulheres sabem fazer tudo o que nós sabemos. São boas nas coisas “relevantes”, e também são boas nisto, nas coisas pequenas, no dia a dia, nas coisas que se repetem hoje, e amanhã, e depois. As melhores conseguem colocar a vitória de uma família acima da vitória delas mesmas, de se sacrificar pelos outros e pelas coisas que achem que valem a pena, sem reclamarem ser aclamadas como heroínas, apenas querendo que lhes dêem valor.

E depois vingam-se nisto, nestas competições estranhas que os homens não entendem; se elas sabem que eles as amam de igual modo penteadas ou por pentear, porque insistem elas? Arranjam-se para chamar a atenção de outros homens, para pôr o homem delas “em sentido”? Arranjam-se para não haver outras mulheres na sala que chamem mais a atenção do seu homem? Mas se eles até tinham sugerido ficar em casa, onde não havia mais nenhumas a distrair-lhe a atenção…

Homem que gosta de mulheres é homem que entende e que apoia a mulher que escolheu, sem nunca dizer que o faz explicitamente, sem nunca dizer que entende a natureza do jogo. Mas fará tudo o que puder para que ela ganhe. E ganhando ela, ganhará ele, ao vê-la feliz. Aceitar uma pessoa na sua complexidade é uma forma de a respeitar. Procurar entendê-la é uma forma de a amar. Poucas coisas são tão belas como uma mulher que se sente bonita. E talvez ele um dia entenda que há poucas coisas que façam tanto para uma mulher se sentir bonita como o facto de se sentir amada.

E talvez mais tarde, ao final da noite, entenda inteiramente o potencial de uma mulher feliz, a dimensão do fogo e da felicidade que ela pode libertar.

* A excepção são as matriarcas – que não são necessariamente as mais velhas nem as mais fortes – mas isso é tema para outro dia.

** Diferentes mulheres são competitivas em diferentes coisas, tudo depende muito do conceito que têm de si mesmas e daquilo em que são levadas, quase incoscientemente, a competir. A competição feminina, como a maior parte dos nossos instintos, é uma coisa muito basilar, primal, paleolítica até, e está presente na esmagadora maioria das pessoas. As mulheres primitivas que a não tinham morreram sem deixar descendência, as que temos são todas descendentes das mais competitivas.

3 thoughts on “Strangers In The Night

  1. 13/02/2014 at 20:21

    Pois é, é mesmo isso ;)
    Beijo menino :)

  2. 14/02/2014 at 11:51

    As mulheres marcam o seu “território” de uma forma inteiramente diferente dos homens. Elas “observam” e “medem” tudo que as rodeia. Acho que está mesmo incorporado no código genético. É algo verdadeiramente superior a elas, não o controlam. Reparam em tudo … nas unhas das outras, nos sapatos, nas roupas de marca e principalmente em um dos maiores sinalizadores de status – as malas, as Furla, as CH, as Burberry`s etc. E depois, claro, surgem as outras coisas de que falas, os restaurantes, as férias e tudo o mais. As mulheres ainda têm outra coisa engraçada e insconsciente ou não (?) gostam verdadeiramente de mostrar às outras que aquele homem com quem estão é delas. Como o fazem? Dão-lhe beijos em público e são super afectuosas, a forma mais simples e directa. Somos seres complexos e muitas de nós nada lineares. Quando lia o teu texto ocorreu-me uma outra característica muito peculiar do sexo feminino – os filmes! As mulheres são umas realizadoras inatas e tudo se passa dentro da cabeça delas (contudo há sempre umas que os colocam em prática… :) )
    Gostei imenso do texto :)

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