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Troglodita

trogloditaPor mais que te ame os olhos, quero-te a pele; por mais que me leves a alma, quero-te as mamas.

Rasgam-se-me os sentidos, puxam um para cada lado, não sei o que quero de ti a não ser tudo.

Parte de mim quer uma coisa, outra quer outra, parte de mim quer-te a mente, outra só quer o teu corpo, e quere-o já. E eu, que te respeito e que te vejo minha igual, que compreendo o teu cansaço e o respeito, depois vejo-te o corpo e nasce em mim um antepassado troglodita que te quer mas é foder.

Não és isto para mim, não és só isto para mim, embora, ao ver-me assim, me ouvir falar, a ver-me olhar-te, penso como seria fácil tu pensares que é principalmente isto que vejo em ti.

Às vezes sento-me e falamos; quero inventar contigo de que forma, consciente, imbuiremos o dia a dia de sentido, transmutaremos a existência em criação e em arte. Sartre, é certo, não te estaria a olhar para as mamas enquanto falas. Mas nem sempre é Sartre, sabes, quem se senta ao teu lado. Há um Toni, o Troglodita, que insiste em sair de dentro de onde o guardo fechado, que te quer deitar as mãos e agarrar-te o cabelo, que te quer beijar a boca, apalpar-te as mamas, virar-te de costas, subir-te o vestido de verão e foder-te toda, a dar-te palmadas no rabo.

E no entanto quero-te de mil outras maneiras, quero que me expliques a felicidade, a vida, o amor, quero explicar-te eu essas coisas, falar-te disso como se fosses a mais íntima das irmãs, a mais próxima das amigas. Quero contigo descobrir o que é a beleza, procurá-la nas curvas do raciocínio, perceber que sinapses borbulham e faíscam quando achamos que algo é belo. E ao escrever isto penso em ti, e agita-se a grande pila de Toni, o Troglodita, e já só te quero foder sem metafísica nenhuma, só saliva e esporra e beijos.

Não sei se outros têm disto; não sei se Byron tinha um Toni Troglodita, mas Byron não te conheceu; talvez, num outro mundo, Byron sonhasse com o teu cu e escrevesse menos, escrevesse pouco, sonhasse muito.

One thought on “Troglodita

  1. Antonio
    18/07/2016 at 15:47

    Boa tarde
    será possivel falar de um assunto que pouco é falado, o que leva uma mulher casada e com fiilhos entre os 45 e os 50 anos a se deixar (seduzir) e ate foder com um Homem com mais vinte anos.
    que depois de descoberto pelo marido geralmente se desdobram em desculpas e não assumem que é traição.
    será trauma do passado ou se confundem com o afeto de um pai que teve pouco presente?

    Obrigado

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