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Valentine’s In Red

nude_girl_playing violinNão é o corpo que fode, não é só o corpo que fode, não é só o corpo que se vem.

A alma também ama, e também fode, e também se vem quando te sinto em mim, quando me sinto parte dessa coisa, que inventámos, que é o nós.

O intelecto também ama, e também fode, e também se vem quando estremeço de entusiasmo por uma frase tua, uma ideia tua, um comentário teu.

Os olhos também amam, e também fodem, e também se vêm quando te vejo, quando sorris, quando rodopias à minha frente com um vestido novo, quando me piscas o olho e abres o decote só para eu ver.

A sensibilidade também ama, e também fode, e também se vem quando me mostras o que crias, o que constróis, o que fazes nascer.

Os ouvidos também amam, e também fodem, e também se vêm quando ouço, no meio da confusão dos dias, ou no silêncio das estradas, ou no suor da cama, a tua voz.

O espirito também ama, e também fode, e também se vem quando percebo o quanto aprendo dia a dia contigo, o quanto partilhamos, o quanto crescemos juntos, envelhecemos juntos, todos os dias.

A língua também ama, e também fode, e tembém se vem quando sinto nela a textura da tua, o sabor da tua cona a explodir na minha boca.

O peito também ama, e também fode, e também se vem quando fazemos algo juntos, quando construímos algo a que chamamos nosso.

As mãos também amam, e também fodem, e também se vêm quando toco a tua pele, quando toco a minha pela a pensar na tua pele.

Fode-se com tudo ao mesmo tempo e com cada coisa no seu tempo, como uma orquestra sinfónica  onde nem todos tocam na mesma altura, nem as mesmas notas, nem com a mesma intensidade, mas onde o resultado é o resultado de tudo, ao longo do tempo que durar, ao longo de uma vida. 

O melhor amor é sinfónico, e a multidão de instrumentos e melodias é o que torna épico o que podia ser apenas belo.

Há pares, sei que os há, que só conseguem tocar juntos três ou quatro instrumentos; e não faz mal, há lindas peças para quartetos de cordas.

No limite, há duetos, e solistas, e gente a tocar sozinha violino no metro e isso não é menos belo nem são menos felizes por isso.

Mas o grande amor, o melhor amor é sinfónico.

Por vezes começa apenas com um instrumento, depois juntam-se outros, pode haver pausas numa ou noutra melodia, outras vezes toca tudo ao mesmo tempo e assoberba-nos, e as melodias perdem-se e confundem-se numa cancão só, feita de tudo, feita com tudo.

E por vezes, não raras vezes, tantas vezes, o ímpeto arrebatador mergulha-nos tão fundo um no outro que já nem sei que partes de nós és tu, que partes de nós sou eu, e já nem sei se saber isso interessa.

Amar é fodermo-nos com o corpo todo e a alma toda e a mente toda, o dia todo, todos os dias. Amar, como foder, é sinfónico, e o clarinete que em certos dias toca sozinho a sua parte, enquanto tudo o mais está em silêncio, não é, por ser só um nem por estar longe, menos parte da nossa sinfonia.

5 thoughts on “Valentine’s In Red

  1. Carolina Valadares
    14/02/2014 at 21:37

    Fica-se com vontade de foder, com todo o corpo e toda a alma, depois de ler isto.

    1. 14/02/2014 at 21:55

      Carolina,

      I’ll take that as a compliment… :)

  2. Carolina Valadares
    14/02/2014 at 22:01

    E é Menino, e é :-)

    1. 14/02/2014 at 22:03

      Carolina,

      Nesse caso, obrigado :)

  3. 16/02/2014 at 12:43

    :) escreves mesmo muito do que eu também penso. Beijinhos menino ;)

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